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GERAL
06/11/2025 11h23

Meta faturou R$ 85 bilhões com anúncios de golpes e produtos ilegais em 2024

Documentos internos apontam que plataformas da empresa exibiram todos os dias até 15 bilhões de anúncios com fortes indícios de fraude

A Meta faturou cerca de R$ 85,4 bilhões (US$ 16 bilhões) em 2024 com anúncios de golpes e produtos proibidos, apontam documentos internos da empresa obtidos pela agência Reuters. O valor corresponde a 10% da receita anual da empresa.


Os arquivos mostram que, por pelo menos três anos, a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp falhou em identificar e bloquear uma quantidade enorme de anúncios fraudulentos.


Esses conteúdos expuseram bilhões de usuários a golpes de comércio eletrônico, investimentos falsos, cassinos ilegais e venda de produtos médicos proibidos. O material reflete a hesitação da Meta em adotar medidas que possam prejudicar seus interesses comerciais.


Segundo um relatório interno de dezembro de 2024, a Meta exibe aos usuários, todos os dias, cerca de 15 bilhões de anúncios classificados como de “alto risco”, com fortes indícios de fraude.


A empresa arrecada aproximadamente R$ 37,4 bilhões (US$ 7 bilhões) por ano com essa publicidade de alto risco, indica outro documento analisado. Grande parte das fraudes foi cometida por anunciantes sinalizados pelos sistemas de alerta internos da empresa.

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Relatórios mostram que quem clica em anúncios fraudulentos tende a receber mais conteúdo do tipo devido ao algoritmo de personalização das plataformas. 


Os documentos mostram que a própria pesquisa da Meta indica que seus produtos se tornaram um pilar da economia global de fraudes. Em uma apresentação de maio de 2025, a equipe de segurança da empresa estimou que as plataformas da Meta estavam envolvidas em um terço de todos os golpes bem-sucedidos nos EUA. 


A Meta também reconheceu, em outros documentos internos, que alguns de seus principais concorrentes estavam fazendo um trabalho melhor na eliminação de fraudes em suas plataformas.


"É mais fácil anunciar golpes nas plataformas da Meta do que no Google", concluiu uma análise interna da Meta em abril de 2025 sobre comunidades online onde fraudadores discutem suas atividades. O documento não apresenta os motivos por trás dessa conclusão.


Preparando-se para multas de até US$ 1 bi


Os documentos deixam claro que a Meta pretende reduzir, no futuro, seu fluxo de receita ilícita. Mas a empresa teme que cortes abruptos na receita de publicidade fraudulenta possam impactar suas projeções de negócios, segundo um documento de 2025 que discute o impacto da chamada "violação de receita" — anúncios que violam os padrões da Meta, como golpes, jogos ilegais, serviços sexuais ou produtos de saúde duvidosos.


A empresa reconheceu internamente que multas regulatórias para esse tipo de anúncio são inevitáveis e podem chegar a até US$ 1 bilhão, segundo um documento interno. No entanto, essas multas seriam muito menores do que a receita da Meta com anúncios fraudulentos, segundo um outro documento de novembro de 2024.


A cada seis meses, a empresa obtém US$ 3,5 bilhões apenas com os anúncios considerados de "maior risco legal", como aqueles que falsamente representam marcas ou figuras públicas, ou que apresentam outros sinais de engano.


O valor, segundo o documento, provavelmente supera "o custo de qualquer acordo regulatório envolvendo anúncios fraudulentos". Em vez de tomar medidas voluntárias para revisar os anunciantes, a liderança da Meta decidiu agir apenas diante da perspectiva de uma ação regulatória iminente.


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