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GERAL
30/01/2026 16h13

Empresa do Sul coloca SC no mapa nacional da eficiência tributária

Consultoria catarinense cresce mais de 500% ao ajudar empresas de todo o país a acessar incentivos fiscais que somam bilhões de reais

Em um país onde a carga tributária supera 32% do Produto Interno Bruto (PIB), um dos maiores percentuais entre grandes economias emergentes, reduzir custos operacionais é essencial para a sobrevivência e o crescimento das empresas brasileiras.


Ainda assim, bilhões de reais em incentivos fiscais criados para estimular a indústria, as exportações e o investimento produtivo continuam fora do alcance da maioria das companhias.


Dados do Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União, em conjunto com a Receita Federal, indicam que o Brasil acumulou mais de R$ 1,25 trilhão em renúncias fiscais federais entre 2015 e o primeiro semestre de 2024, incluindo isenções, reduções e incentivos tributários. 


Levantamentos do Sindifisco Nacional e da Unafisco apontam que os chamados gastos tributários seguem acima de R$ 600 bilhões, por ano. 

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Parte expressiva desses recursos, embora prevista em lei, não chega às empresas em razão da complexidade técnica e operacional exigida para sua utilização.


Na prática, mecanismos previstos em lei deixam de ser utilizados, reduzindo eficiência, competitividade e margem de lucro em cadeias produtivas estratégicas da economia brasileira.


É nesse ponto que uma empresa sediada em Criciúma, no sul de Santa Catarina, passou a ganhar destaque nos últimos dois anos ao atender cases nacionais, estaduais e regionais.


A Vinde, consultoria especializada em regimes tributários aduaneiros e comércio exterior, atua na interseção entre legislação, operação e tecnologia para viabilizar o acesso a instrumentos fiscais que, embora existentes, seguem fora da realidade de muitas empresas.


“Nosso negócio enxergou nesse segmento uma oportunidade. Crescemos mais de 500%, com atuação nacional e mais de 240 clientes em todo o Brasil, incluindo grupos como Docol, Hyundai, Nitro e Copobras, além de indústrias catarinenses e regionais como Plasson, Cerâmica Elizabeth, Librelato e Pagé”, afirma Maria Júlia Crocetta, diretora de cultura e estratégia da empresa.


Segundo a diretora, a expansão se consolida no dia 5 de fevereiro, com a inauguração da nova sede nacional da Vinde, em Criciúma, cidade escolhida pelas origens do grupo e que passa a concentrar o atendimento e a gestão de clientes de todo o país.


Com a implantação dos regimes especiais, a Vinde conseguiu transformar incentivos fiscais em mais de R$ 1,1 bilhão em ganhos mensuráveis para seus clientes.


Entre os clientes que exemplificam o uso estratégico dos regimes especiais está a Librelato Implementos Rodoviários, uma das maiores fabricantes de implementos do país.


A partir da estruturação tributária e aduaneira conduzida pela Vinde, a empresa alcançou R$ 2,5 milhões em redução de custos, resultado da aplicação correta dos regimes e da automação dos processos de controle.


De acordo com Pietra Bez Batti, analista de importação da empresa, o avanço trouxe previsibilidade e segurança jurídica.


“Com os regimes de Drawback e de importações diretas junto à Vinde, passamos a ter controle dos processos e clareza sobre como os regimes especiais impactam decisões de investimento e expansão”, pontua. Com a ampliação dessas ferramentas, a meta é atingir até R$ 7 milhões, por ano, em redução de custos.


Tipos de regimes especiais


Os regimes aduaneiros especiais são instrumentos de política econômica criados para reduzir custos, estimular exportações e viabilizar investimentos.


O problema está menos na existência dessas ferramentas e mais na complexidade técnica e operacional exigida para sua aplicação, o que afasta muitas empresas. Entre os principais mecanismos estão o Drawback, o RECOF-SPED, o Repetro Industrialização e SPED e o Ex-Tarifário.


Em comum, eles permitem redução ou postergação de tributos, desde que as empresas cumpram regras rigorosas de controle, rastreabilidade e aderência à legislação.


O Drawback, utilizado pela Librelato, é voltado à exportação e autoriza a importação de insumos sem o pagamento de impostos, desde que sejam utilizados na produção de bens destinados ao mercado externo. Outros regimes seguem lógica semelhante.


O RECOF-SPED suspende tributos na compra importada ou nacional de insumos, com recolhimento apenas se houver destinação ao mercado interno. O Ex-Tarifário reduz o imposto de importação de máquinas e tecnologias sem similar nacional.


“O desafio não está apenas em conhecer o regime, mas em operá-lo com segurança jurídica e eficiência econômica. A gestão tributária passa a influenciar decisões de investimento e competitividade”, afirma o head de produto da Vinde, Mateus Borges.


Reforma tributária e a urgência de soluções estratégicas


A discussão ganha ainda mais relevância com o avanço da reforma tributária, que prevê mudanças estruturais no sistema de impostos sobre consumo e amplia as incertezas para empresas de diferentes setores.


Para quem atua no comércio exterior, o momento exige planejamento, previsibilidade e domínio técnico. Nesse cenário, regimes especiais deixam de ser instrumentos pontuais e passam a ocupar papel fundamental como estratégias de negócios.


“Elas são capazes de mitigar impactos e sustentar decisões de investimento em um ambiente regulatório em transformação. O momento é decisivo para as empresas avaliarem seus negócios e buscarem estratégias com os regimes especiais para fazer a diferença entre perder competitividade ou sustentar crescimento em um ambiente tributário cada vez mais desafiador”, analisa Maurício de Moura, diretor-executivo da Vinde, reconhecido como um dos tributaristas mais experientes do país.


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