Mais de oito mil imagens de registros entre 1842 e 1921 revelam a trajetória de africanos escravizados e seus descendentes na região
Mais de oito mil imagens de documentos históricos sobre a trajetória de africanos escravizados e de seus descendentes nas regiões de Capivari de Baixo, Laguna, Tubarão e Santo Amaro da Imperatriz deverão passar a integrar o acervo do Museu do Judiciário Desembargador Tycho Brahe Fernandes Neto.
O material reúne registros produzidos entre 1842 e 1921 e foi obtido a partir de livros de notas e registros cartoriais, informou o Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
As imagens fazem parte do projeto “Relatórios antropológicos para as comunidades quilombolas Tabuleiro, Caldas do Cubatão e Ilhotinha/SC”, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc).
Os documentos incluem cartas de alforria, registros de compra e venda de pessoas escravizadas, testamentos de senhores de escravos e registros civis de nascimento, casamento e óbito, além de transações de terras envolvendo pessoas escravizadas e libertas.
Para viabilizar a pesquisa, a Corregedoria-Geral do Foro Extrajudicial orientou 14 serventias extrajudiciais que, em tese, poderiam possuir esse tipo de documentação histórica.
Ao final, sete cartórios confirmaram a existência dos registros e permitiram o acesso de pesquisadores e historiadores ao material.
A expectativa agora é que as imagens sejam catalogadas e incorporadas ao acervo do museu, garantindo a preservação dos documentos e o acesso público às informações históricas.
Segundo a corregedora-geral do Foro Extrajudicial, desembargadora Rosane Portella Wolff, o trabalho também evidenciou a importância do acervo mantido pelos cartórios catarinenses.
A partir da experiência, a Corregedoria deverá elaborar um protocolo formal de acesso aos registros, que será incluído no Código de Normas para facilitar futuras pesquisas de interesse público.
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