A retirada do filhote do ambiente marinho só foi possível após o encalhe do corpo na faixa de areia
No último sábado (27), a equipe do Projeto de Monitoramento de Praia (PMP), vinculada à Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), foi acionada após o registro de um filhote de boto-de-Lahille (Tursiops truncatus gephyreus) encontrado morto, boiando nas proximidades dos Molhes da Barra, em Laguna.
Durante o avistamento, o filhote permanecia junto à suposta mãe, que foi observada carregando o corpo do animal
O comportamento chamou a atenção da equipe técnica e é classificado como epimelético, um fenômeno raro, porém descrito na literatura científica para diferentes espécies de golfinhos.
Esse tipo de comportamento representa um cuidado pós-morte, no qual a mãe ou outro indivíduo do grupo carrega o corpo do animal morto por horas ou até dias, sendo interpretado como uma resposta comportamental associada à perda.
A retirada do filhote do ambiente marinho só foi possível após o encalhe do corpo na faixa de areia, o que permitiu a atuação segura da equipe.
Após o recolhimento, o animal foi encaminhado à Unidade de Estabilização de Fauna Marinha da Udesc, onde passou por procedimento de necropsia.
De acordo com os técnicos, o filhote apresentava avançado estágio de decomposição, e o processo de autólise tecidual impediu a determinação conclusiva da causa da morte.
Durante o exame, não foi identificado conteúdo gastrointestinal, o que indica que o animal possivelmente não se alimentava há alguns dias. Também não foram observados sinais compatíveis com afogamento.
Diante dos achados, a principal hipótese levantada pela equipe é a ocorrência de hipoglicemia como possível causa da morte, embora a confirmação não seja possível neste momento.
Amostras biológicas foram coletadas e encaminhadas para análises complementares.
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