Joel Borges Corrêa relata ao Sul Agora como recebeu a decisão e o que pretende fazer a partir de agora
O tubaronense Joel Borges Côrrea se tornou o primeiro brasileiro condenado pelos atos de 8 de Janeiro de 2023 a obter refúgio político na Argentina.
Na prática, a medida tende a impedir a deportação ou extradição enquanto o status de refugiado estiver vigente.
O alcance da medida fez com que o caso de Joel ganhasse repercussão nacional e internacional, nos maiores veículos de mídia brasileiros e argentinos, e gerou declarações do pré-candidato a presidente pelo PL, Flávio Bolsonaro, e do presidente da Argentina, Javier Milei.
Em entrevista exclusiva ao Sul Agora, Joel falou sobre a decisão, seus planos na Argentina e as expectativas a partir de agora.
1 – Como você recebeu essa decisão? A partir de agora, quais são seus planos e expectativas?
Recebi com grande alegria, pois sei que Deus se fez presente em todo este processo.
Agora quero tirar a minha carteira de motorista aqui na Argentina e poder exercer a minha profissão.
2 – Como tem sido a vida na Argentina? O que você tem feito?
Nos últimos um ano e quatro meses estive preso, não tenho muito a relatar. Vida em penitenciária não é fácil. Mesmo você sendo inocente, até provar que somos perseguidos políticos demorou um pouco.
Foram momentos difíceis, mas Deus esteve comigo em todos os momentos. Minha família e meu advogado, dr. Pedro Gradin, também me ajudaram muito, me orientando e estando presente.
Agora o que eu vou fazer é seguir a minha vida aqui. Sei que posso ter liberdade e isso é o que mais importa.
3 - Pretende levar a família para morar na Argentina?
Minha família, a princípio, ficará no Brasil. Ainda não fizemos planos com relação a isso.
4 - Você imagina que a sua situação no Brasil possa mudar futuramente?
Eu acredito que a situação irá mudar sim e, tão logo isso aconteça, quero voltar, com certeza.
5 - A decisão tomada pelo órgão argentino (Conare) pode influenciar os demais pedidos de refúgio em análise. Você tem contato com outros brasileiros? A situação deles é parecida com a sua ou você acha que seu caso é diferente dos demais?
O que foi me dito é que todos os casos serão analisados individualmente, ou seja, será diferente do que foi feito no Brasil, onde todos foram colocados em um processo absurdo e julgados em última instância.
E sim, eu tenho contato com alguns brasileiros que vieram para cá e pediram refúgio, mas é totalmente por telefone.
A situação deles é muito parecida com a minha, mas cabe ao Conare analisar.
6 – Em 2025, fizemos uma reportagem na qual você relatou se sentir injustiçado. Hoje, qual seu sentimento sobre todo o ocorrido?
Quando fui preso, me senti muito injustiçado, porque não conseguia entender como que aquilo poderia estar acontecendo comigo novamente, se eu havia pedido refúgio e eu já tinha documentação (DNI) e a precária que me dava o direito provisório de viver na Argentina.
Pensei que estava seguro.
Hoje, passado mais de um ano, eu consigo enxergar que tinha que ser assim, e não guardo nenhum tipo de sentimento negativo contra ninguém, as coisas já passaram.
Quero aproveitar para novamente agradecer às pessoas que a todo momento acreditaram na minha inocência.
Apesar de o meu país ainda não reconhecer, tanto aqui quanto em qualquer outro lugar do mundo é sabido que eu sou um perseguido político.
Entrevista exclusiva em 2025
No início do ano passado, o Sul Agora entrevistou Joel e sua esposa, Míriam Cristina Alves Corrêa, quando revelaram com exclusividade a sua situação e a estratégia adotada por sua defesa no país vizinho.
Naquele momento, os advogados já buscavam na Justiça argentina a concessão de liberdade provisória para Joel, enquanto o processo de extradição seguia em análise.
Leia a reportagem aqui:
"Tubaronense preso na Argentina pelo 8/1: “Me sinto injustiçado”
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