Jamais testemunhamos tantos crimes hediondos. Todos os dias, manchetes sangram diante de nossos olhos, e a sensação é de que algo se partiu na humanidade — se é que ainda podemos chamá-la assim.
Paira no ar uma atmosfera lúgubre, quase diabólica. As sombras devoram valores que deveriam ser inegociáveis: decência, honra, empatia. O mal não se esconde mais. Ele age à luz do dia, com frieza e premeditação. E nos pegamos perguntando: como chegamos até aqui?
É uma amiga que rouba um bebê do ventre, uma esposa que envenena a própria família, uma filha que incinera o pai e a madrasta como se fossem restos descartáveis. É um pai que joga o filho da ponte para ferir a mãe. Outro que usa os próprios filhos como escudo em um carro lançado contra um caminhão. Um comerciante que arranca de uma criança de 9 anos a inocência que jamais poderá ser devolvida. Um homem que descarta o corpo da ex-namorada como quem abandona um objeto sem valor.
Essas histórias não são enredos de terror. São a realidade. Notícias que deveriam nos chocar, mas que, de tão frequentes, já nem surpreendem mais. E isso é o mais assustador.
O que nos resta diante desse cenário? Medo? Revolta? Indignação? Talvez tudo isso junto, misturado ao luto silencioso por uma sociedade que parece ter se perdido de si mesma. Enquanto a banalização da maldade avança, nós seguimos engolindo as lágrimas, sufocando o riso, tentando proteger o que ainda nos resta de tranquilidade — sem saber até quando isso será possível.
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