No Brasil, a gente tem uma mania curiosa de distribuir títulos como quem distribui bom-dia.
Basta vestir um terno, carregar uma pasta, ocupar determinado cargo ou circular pelos corredores do poder para, de repente, surgir um “doutor” antes do nome.
Mas vamos combinar uma coisa?
Doutor é quem tem doutorado.
Doutorado exige anos de estudo, pesquisa, produção científica, tese, banca e dedicação. Não deveria ser apenas um enfeite colocado antes do nome para aumentar a importância de alguém.
Médico pode ser médico.
Advogado pode ser advogado.
Juiz pode ser juiz.
Promotor pode ser promotor.
Oficial de Justiça pode ser oficial de Justiça.
E todos esses profissionais podem ser excelentes, respeitados e absolutamente dignos de consideração sem precisar de um “Dr.” emprestado.
Se fizeram doutorado, são doutores academicamente. Se não fizeram, o “doutor” é apenas uma tradição de tratamento — não um título acadêmico.
Talvez nossa dificuldade esteja justamente aí: ainda confundimos respeito com hierarquia e autoridade com título.
Eu não respeito alguém porque existe um “Dr.” antes do nome.
Respeito pela competência.
Pela ética.
Pelo conhecimento.
E, principalmente, pela maneira como essa pessoa trata quem não tem título nenhum.
Porque currículo pode até conferir títulos.
Mas caráter não vem acompanhado de abreviação.
Receba outras colunas direto em seu WhatsApp. Clique aqui
