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Tubarão será cidade-prédio, ao invés de cidade-esponja

15/05/2024 06h18

Depois que ocorreu a tragédia no Rio Grande, o sempre competente jornalismo da Rede Globo correu o mundo para ver como os demais países têm lidado com os eventos climáticos. O Fantástico do último domingo mostrou um projeto na cidade mais antiga da Holanda, Njjmegen, que reduziu o risco de enchentes ao abrir caminho para a água. A cidade possui 170 mil habitantes, pouco mais que Tubarão, e foi eleita a cidade mais verde da Europa, em 2018.


O programa mostrou como Nova Orleans se recuperou dos estragos do Furacão Katrina e o reforço que foi feito no sistema de diques e de bombeamento de água que protegem a cidade contra inundações. E se encontrou em Nova York com o arquiteto chinês Kongjian Yu, que criou o conceito de cidades-esponja. O urbanista, que é consultor do governo chinês, buscou uma solução, através da infraestrutura, para os municípios afetados pelas fortes chuvas.


Segundo o especialista, que já desenvolveu projetos para mais de 70 cidades que são capazes de absorver mais volume de chuva do que o que atingiu o Rio Grande, é necessário que as cidades tenham, perto dos rios, áreas porosas, e não pavimentadas. Além disso, é necessário diminuir a velocidade dos rios, para que a natureza absorva a água. Para isso, ele usa a vegetação e cria um sistema de lagos. Os parques funcionam como uma esponja, daí o nome.


Outra característica das cidades-esponja é a adaptação para que elas tenham áreas alagáveis, para onde a água possa escorrer sem causar destruição. O sistema foi implementado em várias cidades da China. Berlim, Copenhague e Nova York adotaram projetos semelhantes para evitar catástrofes relacionadas às chuvas. Essas informações nos fazem refletir: podemos fazer isso em Tubarão? Será possível adaptar um projeto de sucesso em outros países aqui pra nós?


Certamente que sim. O problema é que estamos fazendo uma opção pelo caminho inverso. Pegue-se o exemplo da Praça Brasília, onde ficava o antigo Ginásio Otto Feuerschuette. Ao invés de criar um parque, uma grande construtora tenta permutar aquele espaço, para construir alguns prédios. Dizem que já foi vendida a área onde fica o Ases para se fazer o mesmo: derrubar as poucas árvores no centro da cidade para colocar mais prédios no local.


Também almejaram fazer isso com a Vila dos Engenheiros, há alguns anos, e provavelmente tentarão novamente. E toda a área atrás da Arena Multiuso, que poderia virar um belo parque, se bobear logo se torna alvo da cobiça deste pessoal, que só pensa naquilo. A mudança climática vai exigir de todos uma mudança de cultura e uma drástica revisão de valores e conceitos. Ou vamos continuar chamando de ecochatos aqueles que sempre nos alertaram?



LÚCIO FLÁVIO
Lúcio Flávio de Oliveira
Diretor de Redação do Sul Agora. Lúcio Flávio de Oliveira é formado em Comunicação Social (Jornalismo) e Direito pela Unisul e tem MBA em Gestão Empresarial pela FGV.
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