Estado retirou 144 crianças e adolescentes de atividades irregulares em 2026 e recebeu mais de 300 denúncias em um ano
Santa Catarina registrou aumento nos casos de trabalho infantil e avançou no ranking nacional de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes de 5 a 17 anos.
Segundo microdados da Pesquisa PNAD Contínua 2024, do IBGE, o estado passou da 14ª para a 10ª posição no país em comparação ao levantamento anterior.
Os números também refletem o crescimento das denúncias.
Entre junho de 2025 e junho de 2026, o Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC) recebeu 336 denúncias relacionadas ao trabalho infantil, sendo 179 apenas neste ano.
As ações de fiscalização têm sido intensificadas por meio de operações conjuntas envolvendo o MPT, a Auditoria-Fiscal do Trabalho, a Defensoria Pública e outros órgãos de proteção à infância.
Somente nos meses de maio e junho, mais de 100 fiscalizações foram realizadas no estado, resultando no afastamento de 66 crianças e adolescentes de atividades laborais irregulares, principalmente em Joinville, Itajaí, Lages, Chapecó e Criciúma.
Na última semana, 14 crianças foram flagradas em situação de trabalho irregular nos municípios de Navegantes e Guaramirim, segundo o MPT-SC.
Já uma operação do grupo móvel de fiscalização retirou 78 adolescentes de atividades consideradas entre as piores formas de trabalho infantil em empresas dos setores têxtil e frigorífico da região de Criciúma.
Somadas, as ações estaduais e a força-tarefa nacional resultaram na retirada de 144 crianças e adolescentes do trabalho infantil em Santa Catarina neste ano.
Além das fiscalizações, órgãos de proteção têm investido na capacitação de profissionais das áreas de assistência social, saúde e educação para melhorar a identificação e o encaminhamento das denúncias.
Especialistas apontam a aprendizagem profissional como uma das principais ferramentas para combater o trabalho infantil.
Dados mostram que apenas na Grande Florianópolis existem 6.593 vagas de aprendizagem que poderiam estar ocupadas por adolescentes, mas permanecem em aberto.
Neste ano, o Ministério Público do Trabalho também aderiu à campanha nacional “Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil”, que utiliza o universo do futebol para conscientizar a população sobre a importância de garantir que crianças e adolescentes estejam na escola, convivendo com suas famílias e longe da exploração do trabalho precoce.
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