Há quem espere a vida abrir portas. Fica parado diante dos corredores da existência, aguardando o momento perfeito, a oportunidade ideal, a autorização de alguém para seguir adiante.
Mas a vida raramente funciona assim.
Existem portas que não aparecem prontas. Elas só surgem depois que temos coragem de derrubar as paredes que as escondem.
A parede do medo. A parede da culpa. A parede da opinião dos outros. A parede dos velhos hábitos, das crenças que nos diminuem e das histórias que contamos a nós mesmos para justificar a permanência onde já não cabemos.
Toda mudança exige demolição.
Ninguém constrói uma nova paisagem sem remover parte da antiga. Ninguém alcança novos horizontes carregando intactas todas as limitações do passado.
É por isso que os recomeços costumam ser barulhentos. Há poeira, desconforto, incerteza e até saudade daquilo que estava ali antes. Mas é justamente no meio dos escombros que o futuro começa a ganhar forma.
Muitas vezes, o que chamamos de crise é apenas uma parede cedendo para que uma porta apareça.
E quando ela surge, percebemos que nunca esteve trancada. Apenas estava escondida atrás dos nossos próprios limites.
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