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A Menina Que Matou os Pais / O Menino que Matou Meus Pais

26/09/2021 09h14

“Entender a dinâmica psicológica que envolveu esse crime de excepcional repercussão pública, bem como o seu julgamento, não o justifica, mas é fundamental para se conhecer aspectos da natureza humana e da própria sociedade.”


Esta frase, que aparece após os créditos de A Menina que Matou Meus Pais e O Menino que Matou Meus Pais é importante que esteja em sua mente ao longo da leitura desta crítica das obras que chegaram este final de semana ao Amazon Prime Video e que retratam o caso real do assassinato do casal Richthofen, ocorrido em São Paulo em outubro de 2002 e que mobilizou a opinião pública pelos quatro anos seguintes, até o julgamento que condenou a filha das vítimas, Suzane, e os irmãos Cravinhos, Daniel (seu namorado) e Christian. Por razões óbvias.


DOIS EM UM


Planejados inicialmente para serem lançados nos cinemas no ano passado, A Menina e o Menino foram adiados em virtude da pandemia, e agora, finalmente veem a luz do dia através do Prime Video. Decisão acertada. E sim, você deve assistir aos dois. De preferência um logo após o outro. 


Para efeito de identificação neste texto, vou me referir à A Menina que Matou os Pais como o primeiro filme, o que retrata a versão de Daniel no julgamento (e que foi a mais difundida pela imprensa por colocar Suzane como a grande mentora do crime), e O Menino que Matou Meus Pais como o segundo, que conta a versão contada por Suzane no tribunal, onde a culpa dos assassinatos recai sobre Daniel. Foi nesta ordem que eu assisti, e, apesar de recomendá-la, ela não é obrigatória.

O que se faz obrigatório, isso sim, é assistir a ambos filmes em sequência, de modo a fazer com que a experiência se torne mais completa no sentido de se perceber onde as versões se completam e onde se contradizem.


ROTEIRO E INTERPRETAÇÕES SÃO O PONTO ALTO


O roteiro dos longas ficou a cargo de Ilana Casoy e Raphael Montes, e tem a direção de Maurício Eça, equipe responsável por algumas obras policiais de sucesso no mundo da ficção, como a série da Netflix Bom Dia, Verônica, por exemplo.


Aqui, como sabemos, eles mergulham em uma história não só real, como recente, e que boa parte da audiência dos filmes tem bem fresca na memória, até pela espetacularização por parte da mídia que foi feita no caso.


Para ter o cuidado de não tomar partido de nenhum dos dois lados, o que é ótimo, o roteiro é baseado nos depoimentos reais dos envolvidos durante o julgamento, com algumas falas sendo diretamente retiradas dos áudios do tribunal, o que traz veracidade, acima de tudo.

O elenco, obviamente o mesmo nos dois longas, tem um trabalho árduo, e ao mesmo tempo, brilhante. Carla Diaz (BBB, O Clone – inshalá!!), na pele de Suzane, dá um show!! As nuances que a atriz usa para passar o lado maquiavélico, perturbado e frio, visto no primeiro filme, e de menina doce e inocente, no segundo, são espetaculares, com uma entrega e uma variação de personalidade dentro da mesma personagem que chamam muito a atenção. Trabalho irretocável!


O mesmo vale para Leonardo Bittencourt, que interpreta Daniel Cravinhos e que, ainda que em um patamar um pouco abaixo do que o implantado por Diaz, mantém um nível de atuação igualmente fantástico, com muita força e verdade, mesmo com a personagem aparecendo em duas vertentes tão distintas em cada uma das versões.

O elenco de apoio, da mesma forma, se integra de forma uniforme aos principais, com destaque para Vera Zimmermann, no papel de Marísia Von Richthofen, mãe de Suzane, e Leonardo Medeiros, que interpreta seu pai, Manfred. Dê especial atenção às suas atuações, você não vai se arrepender.


TEM UMA VERDADE?


Sem entrar no campo de spoilers, em relação aos filmes, até porque do caso em si seria impossível, uma vez que a história é real e conhecida, é importante que o espectador tenha em mente que aqui não se trata de descobrirmos quem está falando a verdade, ou qual versão é a verdadeira. Nenhuma das duas é, não em sua plenitude.


E é aí que está o interessante desta obra. É você perceber como os dois principais envolvidos nos crimes torcem e distorcem a história a seu bel prazer, cada um de acordo com seus próprios interesses e como tentaram manipular os jurados durante seus depoimentos no tribunal. E isso é facilmente percebido pelos próprios relatos que, cada um com seus furos, mostram que está faltando uma certa pitada de verdade aqui ou ali, em ambos.

Independente disso, o fato é que tanto Suzane quanto Daniel, com 39 anos e seis meses cada um, e Christian, com 38 anos e seis meses de reclusão, foram condenados e atualmente cumprem suas respectivas punições. Ou mais ou menos.


Suzane conseguiu progressão para o regime semiaberto, o que lhe dá o direito, por exemplo, de, todos os anos, de lá pra cá, ser beneficiada com a famosa “saidinha” para comemorar os dias das Mães e dos Pais (!!!)… pois é, coisas de Brasil… Ela cumpre pena em Tremembé (SP).


Por sua vez, Daniel Cravinhos migrou para o regime aberto em janeiro de 2020. Já seu irmão Christian deixou a penitenciária de Tremembé em agosto de 2017, migrando, da mesma forma, para o regime aberto. No entanto, oito meses depois, foi novamente preso, suspeito de agressão a uma mulher e por tentativa de suborno a policiais em Sorocaba. É...

Em tempo, de volta aos filmes, eles são relativamente curtos, tendo o primeiro 1h24, e o segundo 1h27 de duração, o que facilita no momento de assisti-los de forma seguida, o que, repito, se faz necessário. Já disponíveis no Amazon Prime Video. Boa sessão!


INFORMAÇÃO IMPORTANTE


Nenhum dos envolvidos no crime teve qualquer tipo de participação na produção dos longas, nem receberam ou receberão qualquer bônus resultantes dos mesmos.


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MAX ALEXANDRE
Cultura pop (e outras nerdices)
Jornalista, comunicador social da prefeitura de Tubarão, apaixonado por filmes, séries, games, HQs e cultura pop em geral, desde sempre.
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