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BLOGS E COLUNAS

Falta bairrismo para Tubarão

16/10/2020 14h25

Tubarão foi apontada em setembro de 2018 como a cidade mais hospitaleira do Brasil, pelos milhões de usuários do site Airbnb, especializado em aluguel de temporada. Acredito que essa característica venha lá da nossa fundação, como um entreposto comercial, e acentuada pela tragédia da enchente, que nos tornou um povo mais solidário. O que deveria ser nossa melhor qualidade talvez seja nosso maior problema: somos hospitaleiros demais, talvez mais do que devêssemos.   


Veja um dos absurdos: há dois anos, recebemos um prefeito de uma cidade do interior do Rio de Janeiro, que veio conhecer nosso Museu Ferroviário, e que gostou, claro, do que viu, dada as preciosas locomotivas que ali são preservadas. Ao ir embora, o prefeito descarado foi direto no Ministério dos Transportes e conseguiu a absurda autorização para levar uma locomotiva, da qual gostara, para seu município. Tipo um visitante que surrupia uma peça rara de família quando deixa quem o hospedou. 


Esse deboche para com a população tubaronense só não se concretizou porque a comunidade se revoltou, lançou a campanha Esse Trem é Nosso e conseguiu a reversão da autorização do ministro. Mas episódios de desprezo para com a cidade são vistos com uma insistência que, como tubaronense, me deixam muito indignado. Agora tem um candidato a prefeito que é de fora, mora há pouco tempo aqui e vive falando mal da cidade. Nada daqui presta – então por que veio morar em Tubarão? Não entendo. 


Vou citar mais exemplos: a rodovia Ivane Fretta custou mais de R$ 82 milhões, dentro de uma fazenda da família Freitas, de Criciúma. Foi dito que havia a promessa de que a Intelbras, da mesma família, instalaria ali uma fábrica que geraria empregos e renda para a cidade. A rodovia foi liberada em janeiro desse ano, as terras em volta multiplicaram seu valor em várias vezes, e não se ouviu mais falar na vinda da Intelbras. Isso que as obras iniciaram em 2014, tempo de sobra para planejar a vinda.  


Recebemos com os braços abertos empresários de outras cidades daqui da região, como de Armazém e Treze de Maio, só para citar dois dos mais bem-sucedidos. Construíram sua riqueza aqui em Tubarão, vendendo para gente que mora aqui, mas um patrocina o time do Criciúma, nosso maior rival no futebol desde sempre, e o outro patrocina o Figueirense. Enquanto isso, nossos times vão definhando, esmorecendo na falta de apoio da classe empresarial. Lutando com dificuldades para sobreviver. 


De outro lado, vemos o Brusque, cidade do nosso porte, campeão de tudo, patrocinado pelo maior empresário local, Luciano Hang. Pode-se discordar das ideias políticas dele, duvidar do bom gosto com que escolhe suas roupas, mas é obrigatório reconhecer que ali está um homem que sabe retribuir aquilo que a comunidade lhe deu. Sabe que o esporte aumenta a autoestima de uma cidade, dá oportunidade de empregos para muita gente, e gera renda para o município. Questão de responsabilidade social. 

LÚCIO FLÁVIO
Lúcio Flávio de Oliveira
Diretor de Redação do Sul Agora e do jornal Diário do Sul. Lúcio Flávio é formado em Comunicação Social (Jornalismo) e Direito pela Unisul e tem MBA em Gestão Empresarial pela FGV.
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