Manda o bom senso que ninguém cante vitória antes da hora. São muitos os exemplos nos vários setores da vida, mas para ficar apenas na política, que é o tema desta coluna, cito o caso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando concorreu à prefeitura de São Paulo, na primeira eleição direta para prefeituras das capitais após o fim da ditadura.
Em 1985, ele liderava as pesquisas na disputa contra Jânio Quadros. A confiança era tanta que ele aceitou uma sugestão de jornalistas para que se deixasse fotografar sentado na cadeira de prefeito na véspera da eleição. FHC acabou perdendo e Jânio, eleito, chamou os fotógrafos para registrá-lo desinfetando a cadeira, “porque nádegas indevidas a usaram”.
Anos mais tarde, quando disputava a presidência pela primeira vez e venceu, FHC disse que havia tirado várias lições daquela derrota, sendo a maior delas a humildade. Relembro essa história porque tenho visto pouca humildade por parte de Flávio Bolsonaro desde que saiu o resultado do primeiro turno. Deu várias declarações como se já estivesse eleito.
Primeiro disse que mudará a Constituição. Depois, falou que aumentará seu próprio mandato para cinco anos, que irá reformar a Justiça, reformar a reforma tributária e, como seu pai fez em 2018, prometeu o fim da reeleição – como se sabe, Jair não acabou com a reeleição e foi candidato. Perdeu para Lula numa eleição que foi disputada voto a voto, como esta.
Embora o favoritismo de Flávio Bolsonaro esteja claro, ainda faltam alguns dias para a eleição. O pai dele perdeu o primeiro turno de 2022 por seis milhões de votos e reduziu a diferença para dois milhões no segundo turno. Jair Bolsonaro cresceu de um turno para o outro, o que pode acontecer com Lula também. Está na Bíblia: a soberba precede a queda.
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