O eleitor decidiu: a direita vai governar a maioria dos estados, elegeu a maioria dos deputados estaduais e federais, além do Senado, e a esquerda vai comandar o Executivo. Terminada a eleição, os partidos já pensam na próxima, aprendendo com os erros desta, e se organizam para ampliar ou recuperar espaços. É assim em qualquer democracia.
No Brasil também é – ou era, até a eleição passada. Jair Bolsonaro perdeu e não teve a decência de passar a faixa para o presidente escolhido pela maioria dos eleitores. Alegou fraude nas urnas e tentou aliciar as Forças Armadas para um golpe que, se não tivesse sido frustrado, teria nos jogado em mais um período sombrio da nossa história.
Mas acabou naquela quebradeira lamentável do 8 de Janeiro, de triste lembrança. Agora, seu filho Flávio repete a ladainha cansativa de fraude, também foge para os Estados Unidos e não reconhece a vitória do seu adversário. A fruta não cai longe do pé. Com isso, em vez de o país seguir em frente, ficam sempre esses fantasmas nos puxando para baixo.
Estimulados por esse constante acirramento de ânimos que fazem os Bolsonaros, alguns de seus seguidores querem quebrar não mais as sedes dos Três Poderes, mas a empresa de quem pensa diferente deles. E o que mais se tem comentado em várias cidades são as listas de quem votou em Lula, instigando bolsonaristas a boicotarem esses comércios.
E temos visto muitos que se dizem patriotas, cristãos e defensores da liberdade agirem contrariamente ao que pregam. Não vi um único pastor vir a público dizer que não são estes os valores que se pregam nas igrejas evangélicas, a não ser o Malafaia, que disse que os filhos de Bolsonaro “são uns jumentos”, após Flávio se autodeclarar presidente.
E as associações comerciais, câmaras lojistas, sindicatos patronais? Quantos defenderam os comerciantes destes boicotes, que nos remetem à Alemanha nazista? Quais líderes da direita pediram para seus eleitores evitarem esta violência política? O coordenador da campanha de Lula definiu bem: “Os que não sabem perder não merecem ganhar”.
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